Arquivo do mês: janeiro 2009

Pirataria Contemporânea

Os piratas da atualidade não tem uma perna de pau, não usam espadas e também não buscam saquear navios com baus de ouro. Seu ramo de atuação está mais moderno. Os piratas contemporâneos agora trabalham na distribuição barata ou gratuíta de filmes, músicas e livros. Estes piratas “batem de frente” com os grandes da indústria do entretenimento, utilizando a informática e a internet como arma.

Só escolher...

Só escolher...

A pirataria fez com que a indústria da música fosse reinventada. Hoje, dificilmente bandas vão ganhar os discos de ouro que eram entregues nos programas de auditório, pois o disco físico não vende como antigamente. Aliás este “antigamente é questão de alguns poucos anos atrás”. Lembro que quando comprava um CD, mesmo que não gostasse de todas as faixas contidas nele, passava a aprender a gostar de tanto ouvir. Era um prazer enorme ter o contato com o encarte, com as fotos, as letras. Hoje a música está mais descartável. É como simpatizar com uma pessoa logo no primeiro contato. Ou você gosta, ou vai pra lixeira.

A questão dos direitos autorais é bastante delicada. Com o avanço da tecnologia, hoje todos possuem câmeras digitais, ipods, pen drives. Transmitir informação através da internet está cada dia mais fácil. Com a globalização, temos acesso rápido a novidades e nunca estamos satisfeitos, queremos sempre mais e mais. Então, muitas coisas que são fotografadas, gravadas e armazenadas podem ser consideradas violação de direitos autorais. E quem se utiliza destas ferramentas são principalmente os mais jovens que tem uma outra visão sobre o mundo, que tem vontade de mudar, de ver e fazer acontecer tudo de uma forma diferente.

A pirataria que inicialmente foi vista (e ainda o é) como prejudicial, até mesmo por aqueles que se utilizam dela (atire uma pedra quem nunca viu, ouviu, ou leu algo pirata), veio para mudar as regras do mundo capitalista. Com ela as empresas são forçadas a se reinventar. Novas formas de distribuição e consumo de informação devem ser propostas, fazendo com que o consumidor final (todos nós) esteja mais satisfeito. Mesmo não gastando na compra de CD´s, a pessoa não deixa de gostar de música. O lucro para seu ídolo vem de outra forma, através de compra de camisetas e shows.

Oasis - Maine Road

Oasis - Maine Road

Um exemplo antigo relacionado a pirataria que pode ilustrar bem o que acontece na atualidade, foi a invenção do fonógrafo em 1877 por Thomas Edison. Enquanto trabalhava neste projeto, reproduzia em seu invento “Mary Tinha um Carneirinho”.  Os músicos que ganhavam dinheiro tocando ao vivo esta música, acusaram-no de violação de direitos autorais e imaginaram que com o fonógrafo, os músicos ficariam sem trabalho, acabando até mesmo com a música em si. É o que ocorre hoje com os downloads. Assim, foi inventado o sistema de pagamento de royalties. Thomas Edison inventou também o cinetógrafo (máquina de filmar), o cinetoscópio (caixa com imagens vistas em seu interior) e o vitascópio (projetor de filmes em tela). Edison, exigiu o pagamento de uma licença para quem quisesse utilizar seus inventos. Assim, alguns piratas cineastas da época, mudaram-se para continuar produzindo seus filmes, sem ter que pagar a licença. Através disto, os primeiros estúdios de Hollywood foram criados, como a FOX films.

Convenhamos, nada tira o prazer de ter um livro impresso em mãos, poder ler deitado numa rede, ou estar sentado na areia, hora lendo, hora observando o mar. Nada tira o prazer de estar numa sala de cinema, para ver aquele filme de ação numa tela gigante. Ou aquela comédia com 300 pessoas rindo com você. Sem contar sentar na última poltrona com a namorada, no escurinho do cinema…

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A empresa contemporânea, para ser competitiva precisa aprender a se reinventar. Pesquisar o mercado, entender o seu consumidor, antecipar tendências. A pirataria contemporânea é um caminho sem volta.

 

Músicas ouvidas durante o post: Nei Lisboa – Translucidação; Côte D’Azur; Bela; Confissão; Clichê; Mundos Seus;  Tropeço; A Verdade Não Me Ilude; The Importance Of Being Idle (Oasis cover); Muito. (Destaque para todas).  


Through the storms and the light, baby, you stood by my side.

Ouvindo a música “No I in Threesome” do Interpol, vieram a minha cabeça alguns acontecimentos desta última semana. Primeiro o engraçado filme que assisti chamado “As Loucuras de Dick e Jane”, com Jim Carrey interpretando um executivo que acaba de ser promovido na empresa em que trabalha. Como passaria a ganhar um salário mais elevado, sugere que sua esposa deixe o emprego, para passar mais tempo com o filho. Assim ela o faz. Mas acaba ocorrendo o inesperado. Dick passa a ser o vice-presidente de uma empresa falida. Com isto, a situação de conforto que o casal vivia, passou aos poucos, a ser de quase pobreza extrema.

Outra situação que foi bastante noticiada esta semana, foi a morte prematura da modelo brasileira de apenas 20 anos, que após ser levada ao hospital por problemas com bactérias, teve inicialmente suas mãos e pés amputados. Sua carreira como modelo até então de muito sucesso, foi interrompida por uma doença inesperada.

Nos dois casos, o destino pregou uma peça. Na obra cinematográfica, o marido possuia bens, um excelente cargo na empresa, mas perdeu tudo. Jane, mesmo na miséria, permaneceu ao lado de seu marido. Na obra da vida real, a modelo que era linda e saudável, ficou doente, sofreu perdas irreparáveis que seriam eternas se ela sobrevivesse. Seu namorado, teria o mesmo amor, o mesmo afeto, por uma mulher antes linda, e agora com deformidades físicas?

Parece besteira comparar uma comédia, com um drama. Um filme, com a realidade. Mas isto pode acontecer na vida de qualquer um. Qual seria então nossa atitude?

O título do post, que é parte da letra da canção do Interpol, vangloria exatamente isto, no caso do filme:

“Através das tempestades e da luz / Querida, você ficou ao meu lado / E a vida é vinho”

Já no caso da vida real, não sabemos o que seria do futuro do casal, mas continuando a letra da música:

“Mas há dias nesta vida / Quando você vê as marcas de dentes do tempo / Dois amantes se dividem”

É tudo muito fácil quando tudo está bem. Quando chegam as adversidades de surpresa, sabemos se a frase do padre vale realmente pra gente:

Na alegria e na tristeza, na riqueza e na pobreza, na saúde e na doença…

 

No I in Threesome do Interpol:

 

 

Músicas ouvidas durante o post: Interpol – Next Exit; Evil; Narc; Take You on a Cruise; Not Even Jail; Public Pervert; C’mere; A Time to Be So Small; Stella Was A Diver And She Was Always Down (Live); No I in Threesome; The Heinrich Maneuver; Rest My Chemistry; Who Do You Think?; The New (Destaque para todas).  


Big Mac Index (Índice Big Mac)

Economia pode ser considerado um assunto chato. É um tal de queda no preço das ações, aumento do desemprego, análises macro e microeconômicas, valorização e desvalorização de moedas. Pode ter certeza que o caderno Dinheiro da Folha de São Paulo permanece quase sempre intocável pela maioria dos leitores, talvez por desinteresse em estar informado sobre a queda do PIB chinês, ou até mesmo, a falta de conhecimento sobre determinados termos que são jogados na mídia, sem uma explicação prévia de seu significado.

Para tornar mais palatável o assunto “economia”, os editores da revista britânica The Economist, inventaram em 1986 uma forma de comparar o poder de compra no mundo todo. Para isto utilizaram como base o preço de um produto que é consumido tanto na França, como na Malásia, no Brasil, ou Argentina. É o chamado Big Mac Index (Índice Big Mac), pois utiliza o carro-chefe da rede de lanchonetes McDonald’s, o famoso sanduiche- iche Big Mac.

Big Mac é uma delicia

Big Mac é uma delícia

Este índice é calculado sobre o preço do Big Mac em vários países, tendo objetivo de comparar a sobrevalorização ou a subvalorização de uma divisa em relação ao dólar. Se o preço do Big Mac em determinado país for superior ao cobrado nas lojas americanas do McDonald´s, significa que a moeda está valorizada na comparação com o dólar.  

Na última publicação da “The Economist”, com a valorização do dólar em relação ao real, o Brasil que em 2008 possuia um dos Big Mac mais caros do mundo, hoje tem um preço menor que o cobrado nas lojas dos EUA. O sanduiche brasileiro vale US$3,39, contra US$3,54 do americano. Significando que a moeda brasileira está desvalorizada em 4,24% quando se comparada com o dólar. Ou seja, como no dia 23 de janeiro de 2009, o dólar estava cotado em R$2,33, o valor da moeda americana, segundo o índice Big Mac, deveria ser 4,24% menor, ou R$2,23.

The Economist 2009

Big Mac Index - Fonte: The Economist 2009

Mas é uma forma correta de comparar as moedas?
A idéia inicial surgiu de uma brincadeira, já que o McDonald´s utiliza os mesmos procedimentos, incluindo a margem de contribuição, independente do país em operação (são mais de 120 países). 

Fato é que o Índice Big Mac é levado tão a sério, que é notícia em renomados telejornais e mídias de circulação impressa e eletrônica no mundo todo.  

Fonte: http://www.economist.com/markets/indicators/displaystory.cfm?story_id=12991434

Músicas ouvidas durante o post: Samiam – Sunshine; Wisconsin; Super Brava; Mexico; Dull; Tag Along; No Size That Small; Full On; She Found You; Factory; Ordinary Life (Destaque para todas);  Switch Stance – Medo; Razão; Sempre Sincero(destaque); Me Diz; A Voz do Silêncio; Lute Até o Fim; Combustão(destaque); O Mágico(destaque).


Descobrindo Kings of Leon

Parece estranho dizer que estou descobrindo uma banda que já está na mídia musical a alguns anos, mais precisamente desde 2002 quando do lançamento do primeiro EP.

kings of leon

kings of leon

Fato é, que ouvindo a excelente Rádio INDIE 103.1 (recomendo) ouvi um som que me agradou do início ao fim. E música boa é assim, de primeira já sabemos se fica no nosso HD ou vai logo pra lixeira. Esse tal som era “Sex On Fire” do último album dos Leon´s entitulado “Only By The Night”.

Passa a ser característica marcante das bandas, a tonalidade utilizada pelo vocalista. Cada um com sua maneira peculiar de soltar a voz. Neste caso, Caleb Followil (vocal e guitarrista), soube muito bem deixar a música atraente, com uma identidade. Veja você mesmo aqui Kings Of Leon – Sex On Fire. Com relação as outras faixas do álbum, posso dizer que é pra se ouvir do início ao fim (minha lixeira permaneceu vazia). 

Para quem “garimpa” bandas índie, é raro quando o som nos é apresentado via rádio (mesmo que esta seja online). As rádios possuem uma certa quantidade de músicas, que se repetem em suas programações, dia após dia. Deve ser muito chato ser radialista e ficar ouvindo sempre o mesmo som (principalmente se você não gosta). Aposto que no momento que vai rolar aquela determinada música, daquela determinada banda, o cara sai pra fumar um cigarrinho. Se for programação direta de 1 hora então, melhora. 

A quantidade de bandas com qualidade, que ficam famosas somente no underground, é diretamente proporcional aos alagamentos em Santa Catarina(humor negro eihm, que feio). Mas é uma enxurrada mesmo. Por isso não fique preso ao que toca nas rádios. Vá atrás de bandas desconhecidas, pois pode ser que exista uma interessante perdida por ai que você nunca imaginou conhecer, se for esperar sentado o que toca nas rádios então…

 

Link da Rádio Índie 103.1 http://www.indie1031.com/4045_Listen_Live.php?id=27

Link do site do Kings of Leon http://www.kingsofleon.com

 

Músicas ouvidas durante o post: Kings Of Leon – Closer; Use Somebody; 17 (destaque); Revelry; Sex On Fire(destaque); Manhattan; Crawl; Notion; I Want You (destaque); Be Somebody; Cold Desert.


Plágio

De acordo com o dicionário Houaiss, plagiar significa apresentar como da própria autoria uma obra seja ela artística, científica, ou de qualquer natureza que pertence a outrem. Fazer imitação de trabalho alheio. O espertinho plagiador acaba se apoderando de idéias que já foram colocadas em prática por terceiros, gozando de todo o crédito pela obra.

Pensei em escrever este post, pois no momento estou lendo “O Manual do Guerreiro da Luz” do grande Paulo Coelho.

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Digo grande pois realmente sou fã de seus romances, é uma leitura gostosa, que prende a atenção até o final. Apesar de estar apenas nas primeiras páginas, pude notar que o conteúdo do livro tem muita semelhança com outro livro que ja li, chamado “O Príncipe” do historiador italiano e filósofo político Nicolau Maquiavel. Sendo taxado de revolucionário na época (1513), por possuir conteúdo polêmico, trata-se também de um “manual” como a obra de Paulo Coelho se intitula. Ambas trazem conselhos estratégicos para líderes e guerreiros. Maquiavel trouxe através de seus textos, um novo modo de pensar e refletir. Seus ensinamentos são amplamente utilizados por pessoas que querem falar bonito influentes, como políticos, governantes, líderes, empresários e em escolas e universidades pelo mundo. Paulo Coelho é um dos escritores mais lidos atualmente, tendo suas obras traduzidas em diversos idiomas.

 principe

Certamente Paulo Coelho se inspirou em Maquiavel para escrever seu livro. E isto não é uma atitude falha. Diariamente somos influenciados pela informação que nos cerca. Para um escritor é interessante que este saiba escrever com maestria, para isto a leitura de várias obras se torna imprescindível. Para um músico o processo é semelhante, é preciso uma fonte de inspiração. Esta muitas vezes vem de obras não tão conhecidas do público, para não “dar na cara” que é algo plagiado, copiado, inspirado ou o que quer que seja.

Indo para o campo da música, posso citar a banda de hardcore Garage Fuzz. Esta tem um som diferenciado das demais bandas do gênero. Em diversas entrevistas sitam como inspiração: Late Government Issue, Voivod, Husker Du, Samiam, The Saints, Celibate Rifles, China Drum, Captain Beyond, The Remains… Destas somente conheço o Samiam (bom pra caralho tem um excelente som).

Ficou famoso recentemente o caso envolvendo o Coldplay e o Guitarrista Joe Satriani. Justamente na única música que presta música de maior sucesso do último album Vila la Vida!(2008). Pesquisando mais um pouco encontrei outro caso, envolvendo desta vez o 311 com a introdução de “Long For The Flowers” do magnífico álbum Don´t Tread On Me (2006). Veja ouça e tire suas conclusões. 

Fica a pergunta no ar. Plágio, ou somente inspiração?

Certo é que, agora, em algum lugar do mundo, alguém está escrevendo, lendo uma frase, ouvindo uma música que pertenceu a outro. No início de todo o processo, este outro foi o começo da história.

 

Músicas ouvidas durante o post: Galaxie 500 – Blue Thunder; Tell Me; Snowstorm; When Will You Come Home; Decomposing Trees; Another Day; Leave The Planet; Plastic Bird; Isn’t It A Pity; Victory Garden; Ceremony; Cold Night; Submission; Final Day; When Will You Come Home; Moonshot (destaque); Flowers; Blue Thunder; Decomposing Trees; Don’t Let Our Youth Go To Waste; Flowers; Pictures; Parking Lot; Don’t Let Our Youth Go To Waste; Temperature’s Rising; Oblivious (destaque); It’s Getting Late; Instrumental; Tugboat; King Of Spain; Cheese & Onions(destaque).


Salve Moçada!!

Declaro oficialmente aberto o Blog Livre Iniciativa.

2009 será um ano de mudanças e É IMPORTANTE QUE ISTO OCORRA PARA TODOS!! 

Sair da situação inercial, aprender algo novo, ler um bom livro, ver um bom filme, ouvir uma boa música, conhecer novas pessoas. Não apenas olhar, mas ENXERGAR o mundo que nos cerca. Valorizar as coisas mais simples. Viver e gostar de estar vivo!!

eternamente crianças

Augusto na praia (2009)

Todos somos livres. Mas o que fazemos com essa liberdade?

Usamos a liberdade como forma de expressão, fazendo aquilo que gostamos.

A iniciativa faz a diferença. Ela distingue a pessoa notável da pessoa medíocre.

Tenhamos a Livre Iniciativa de viver!


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