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A TV Não Matou o Rádio

Dizemos que em economia, o termo obsolescência esta relacionado a diminuição de vida útil e do valor de um bem. Isto pode ocorrer devido ao progresso técnico ou ao surgimento de novos produtos. No campo artístico isto também acontece com a resistência de algumas pessoas ao obsoleto. Mas porque esta resistência? Nós mudamos com o passar dos anos, aprendemos coisas novas, conhecemos pessoas novas, estamos em contínuo aprendizado, inovamos. Porque com a tecnologia seria diferente?

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O DVD veio para melhorar o formato de áudio e vídeo dos filmes que vemos em casa, e logo se tornará obsoleto, pois o Blue Ray já encanta os aficcionados pelos lançamentos de Hollywood. Esses dias mesmo eu estava conversando com o pessoal em casa sobre o vídeo-cassete que fomos buscar no Paraguay (a muitos anos atrás), e poderíamos fazer o mesmo com o Blue Ray, ou até mesmo um Playstation 3 (serve como video game e leitor de Blue Ray), porque não. O que não podemos é ficar agarrados a um produto que logo estará em desuso. Temos que acompanhar a evolução da tecnologia.

A questão é que, ainda tem gente procurando atrapalhar esta mudança inevitável e natural do universo do download, que a meu ver veio para ficar. A proibição é atitude típica de pessoas mais nostálgicas, que ouvem ou ouviram discos de vinil e/ou fitas cassete, que tinham que ir até uma loja para comprar e pagar caro pelo álbum desejado. Já as pessoas que ainda não atingiram a fase dos enta (quarenta, cinqüenta, sessenta), já nasceram utilizando estas novas tecnologias, além de estarem mais acostumadas com as mudanças repentinas que ocorrem tanto em nossas vidas, quanto no mundo tecnológico.

Estas pessoas mais jovens querem combater seu ponto de vista, batendo de frente com antigas cabeças pensantes. Um bom exemplo vem da Suécia, onde uma estudante de economia de 21 anos chamada Amelia Andersdotter está prestes a entrar no Parlamento Europeu, o que a fará contrastar com os políticos mais velhos que costumam se eleger para a casa. Além de ser muito jovem, o que também chama a atenção é que, ao contrário da atual política de se defender os direitos autorais, com leis restritivas, ela baterá na tecla de que é necessário liberar o download. A indústria do entretenimento, tal qual o DVD ou o CD, deverá evoluir e procurar uma nova forma para continuar a lucrar. Amelia faz parte do Partido Pirata, que defende o download livre, e está ganhando espaço no Parlamento Europeu. Ela é uma das representantes mais votatas do partido e ganhou notoriedade justamente por simpatizar com a causa política, defendendo o que muitos jovens da sua idade defendem, o direito de fazer download. A campanha de Amelia baseou-se como esperado para sua idade, na web. Ela criou site, blog e publicou vídeos no youtube.

Amelia Andersdotter

Amelia Andersdotter

Num momento em que o número de defensores do download livre aumenta na mesma proporção em que surgem leis restritivas, os eleitores, principalmente os mais jovens, abraçam as idéias de Amelia e do Partido Pirata. Ela e o Partido propõem mudanças radicais, em que todos os usos não-comerciais de músicas e filmes seriam liberados, ou seja, se você baixar algo para uso próprio e não for comercializar, tudo bem. Defendem também que toda a obra possua direito de proteção estipulados em 5 anos, caindo após este período em domínio público. Você pode se perguntar, e as Majors (indústria do entretenimento), como iriam lucrar? Bom. Como eu estou pensando em substituir meu DVD por um Blue Ray ou até mesmo um Playstation 3, elas já deveriam começar a pensar em novas formas de lucrar. A atual crise econômica mundial, pede por novas formas de produtos ou serviços. Algumas sugestões: podem lucrar com shows, licenciamento de músicas, merchandising, ou seja, as Majors devem inovar. Eu mesmo baixei o ultimo CD do Oasis, mas por outro lado investi 200 reais no ingresso para vê-los tocar ao vivo aqui no Brasil.

Um projeto de lei que desconecta usuários que estão fazendo download foi apresentado aqui no Brasil. A lei foi derrubada por inconstitucionalidade, mas o Governo ainda quer colocá-la em prática. Em países da Europa, existe uma lei que guarda a movimentação dos internautas. Os responsáveis pelo PirateBay que é usado para baixar músicas e filmes foram condenados, sendo apontados como facilitadores para a pirataria. Como resultado, mais pessoas se filiaram ao Partido Pirata, ou seja, quanto mais medidas restritivas forem tomadas pelos Governos, surgem mais movimentos políticos pela cultura livre. Os consumidores clamam por uma reformulação neste processo de compra e venda.

Seja comprando ou baixando, é tudo uma questão de preferência, de oportunidade, de poder aquisitivo. O próprio vinil está voltando pois identificaram que existe a demanda com os nostálgicos que gostam do barulhinho chiado. Penso que deve haver todas as formas de distribuição, todas as opções. Quem quer comprar o Vinil, compra. Quer o CD ou DVD, pode comprar. Quer baixar, também pode. Tem para todos os gostos e bolsos. A TV não matou o rádio, o download não vai matar a música ou o filme, é tudo uma questão de evolução.

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Prós e Contras da Fusão Sadia-Perdigão

A formação de megacorporações é ou não benéfica ao consumidor e ao mercado?

Esta é uma questão controversa. É uma discussão que permite saber como a sociedade reage a processos que não tem um controle completo.

É meus amigos, muito prazer, sou a globalização.

É meus amigos, muito prazer, sou a globalização.

Aqui no Brasil, já vivenciamos a criação da AmBev, a fusão de Kolynos e Colgate, Nestlé e Garoto e em maio de 2009 a fusão entre Perdigão e Sadia, resultando na Brasil Foods. Podemos analisar esta questão por diversos ângulos:

Do ângulo da empresa, muitas destas antes em crise e a beira da falência, a fusão passa a ser a melhor alternativa de sobrevivência num ambiente concorrencial. Estas se fortalecem, melhoram sua rentabilidade e se tornam mais competitivas para brigar com as corporações internacionais (a internacionalização é demonstrada no nome Brasil Foods, escolhido para designar a fusão entre Perdigão-Sadia). Existe a possibilidade de se diminuírem os custos com publicidade, distribuição e logística. Além de um maior investimento em pesquisa, maiores inovações, modernização, tornando o ramo de atuação da empresa mais dinâmico. Porém estes gastos com desenvolvimento do produto, muitas vezes não chegam ao consumidor, não impactando no preço final (os preços ao invés de caírem, podem até aumentar). Com isto, o faturamento destas megacorporações pode dobrar depois de alguns anos, como ocorreu com a fusão de Nestlé-Garoto. Com este aumento de preços, a participação no mercado que no início da fusão era quase que um monopólio, ao longo dos anos tende a diminuir consideravelmente (o consumidor não é totalmente burro), um exemplo é Kolynos-Colgate, que perdeu 14% do mercado em 8 anos.

Do ângulo do governo, e ai incluí-se a questão da economia do país, o número de empregos oferecidos por estas megacorporações além de se manter pode também aumentar, mais que dobrar em alguns casos, como da fusão entre Brahma-Antártica. É excelente para o país, pois este trabalhador estará recebendo salário e consumindo em diversos setores, movimentando a economia como um todo. Com a internacionalização da empresa, existe inclusive a abertura do mercado de trabalho para o brasileiro em outros países. Esta mesma internacionalização faz com que além do nome da empresa, o nome do Brasil seja levado ao exterior. Passamos a ser o país do futebol, do samba e de empresas lucrativas e competitivas. Com a fusão de empresas nacionais, afastamos o risco do capital estrangeiro adentrar em nosso país, ocasionando evasão de divisas. A arrecadação de impostos também aumenta, chegando a quadruplicar como ocorreu com a fusão entre Nestlé-Garoto e Brahma-Antártica. Estes impostos como todos nós sabemos, são revertidos para o nosso bem estar bem estar dos políticos.

Tem que rir pra não chorar.

Tem que rir pra não chorar.

Do ângulo do consumidor, a realidade é outra. Estas fusões significam a união de antigos rivais. É uma empresa a menos no mercado, diminuindo nossa liberdade de escolha. Este aumento de domínio do mercado, trás efeitos negativos para os consumidores e para os concorrentes menores. Antes, duas grandes empresas brigavam para oferecer o melhor produto, com o preço mais baixo para você. Mas agora estas empresas se uniram. Não existe mais a guerra para atrair consumidores, roubar consumidores da concorrência. O preço pode inclusive aumentar, já que não existirá mais a concorrente para forçar a queda nos preços muitas vezes abusivos. Sem contar a pressão realizada por estas megacorporações a fornecedores e ao seu Zé da mercearia, para evitar o aumento da concorrência.

 

aol-time-warnerAbro aqui um parêntese, pois existe também o outro lado da moeda, as fusões que não vingaram. Um exemplo que não deu certo foi a fusão das gigantes Time Warner e AOL em 2001, considerado um dos maiores da história, envolvendo US$ 124 bilhões. Recentemente, o negócio acabou sendo desfeito, pois nunca consumou a expectativa sobre sua viabilidade. É uma ironia, mas o que muitas megacorporações conseguiriam/melhoraram com a fusão, estas passarão a buscar a partir de agora seguindo com suas próprias pernas, separadas. O desmembramento vai oferecer às duas empresas uma maior flexibilidade estratégica e operacional.

Pois bem. Avaliando estes três ângulos (empresa, governo e consumidor), percebe-se que os maiores interessados e privilegiados são as próprias empresas e o governo. Para nós consumidores, resta esperar o julgamento dos órgãos que analisam estes casos de concorrência e abuso de poder econômico e nos representam. Um deles é o CADE (Conselho Administrativo de Defesa Econômica), que deve fazer um trabalho técnico e resistente a pressões políticas, já que é natural, na economia da concorrência e dos mercados, que haja interesses políticos por trás destas fusões.

A resposta para a pergunta inicial está longe de merecer um consenso de empresas, economistas e órgãos de defesa do consumidor. O que se espera com a fusão e o surgimento destas megacorporações, como Brahma-Antártica, Kolynos-Colgate e mais recentemente Sadia-Perdigão é a modernização destas empresas brasileiras, tornando-as mais competitivas no mercado externo, o aumento na arrecadação de impostos, a manutenção dos postos de trabalho, a diversidade e principalmente a qualidade de produtos, aliada a eficiência dos serviços prestados. Mas para nós consumidores, isso de nada adianta, se os preços praticados por estas megacorporações não sejam acessíveis e justos.

 

Fontes: The Economist, Kolynos Brasil, Nestlé, AmBev, ACNielsen.

 

Músicas ouvidas durante o postThe Divine Comedy – Something For The Weekend; Becoming More Like Alfie; Middle Class Heroes; In & Out of Paris & London; Charge; Songs of Love; Frog Princess; A Woman of The World; Through a Long & Sleepless Night; Casanova; The Dogs and Horses; Timestretched; Bad Ambassador; Perfect Love Song; Note to Self; Lost Property; Eye of The Needle; Love What You Do; Dumb It Down; Mastermind; Regeneration; The Beauty Regime; There is a Light That Never Goes Out (The Smiths cover).  (Destaque para todas).


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