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Uma Idéia Na Cabeça E Muito Dinheiro No Bolso

Mas não aconteceu do dia pra noite. Sorte? Persistência? A pessoa certa no lugar certo? É uma união de coisas que, junto a identificação de um nicho de mercado, fizeram com que uma idéia para resolver um assunto pessoal, se transformasse em uma empresa milionária.

Mapa do Tesouro da Internet

Mapa do Tesouro da Internet

O site Buscapé foi vendido aos Sul-Africanos do Naspers em um negócio que envolveu US$ 342 milhões. Só não direi que a empresa partiu do zero para este valor atual em apenas 10 anos, pois inicialmente os sócios economizavam R$ 100 por mês de seus salários de estágio, investindo numa ferramenta de internet para comparar preços de produtos vendidos nas lojas, tudo para adquirir uma impressora. Não tinham o intuito de ficar milionários, muito menos viajar pelo mundo de férias por alguns anos. Queriam apenas resolver um assunto pessoal, facilitar um processo de busca, quando se descobriu que ninguém havia pensado nisso até então.

No tempo das cavernas a propaganda era feita de boca a boca, talvez com o uso de fumaça. Com o rádio, a divulgação passou a ser mais difundida, e logo em seguida a TV fez com que o marketing criasse novos desejos de consumo. A grande questão sempre foi atingir um maior número de pessoas, seja qual fosse o segmento. A poucas décadas atrás surgiu uma ferramenta que cumpre bem esse papel, de forma praticamente instantânea. A internet. Com ela novas idéias apareceram, novas maneiras de facilitar nossas vidas, mundando hábitos, criando novos desejos, novas formas de divulgação. E quem identificou as necessidades antes, criando formas simples e eficientes para se atingir o público, quem entendeu como a internet deve se incluir no marketing e comunicação, se tornou milionário.

Romero Rodrigues Presidente do Buscapé

Romero Rodrigues Presidente do Buscapé

Mas de onde vem grande parte da receita do site? Ao fazer uma busca de preços no Buscapé, se o consumidor clica sobre determinado produto cadastrado, o lojista detentor deste paga pelo clique ao Buscapé, mesmo que a venda não seja concluída. O site hoje está em diversos países, captando e fazendo comparações de preços de diversas lojas virtuais, é um negócio milionário, e eu nunca cliquei no seu endereço eletrônico para pesquisar ou comprar o que quer que fosse. Confesso que a primeira vez foi essa semana, quando da divulgação de sua venda ao Naspers. Se é uma empresa de sucesso, alguém está clicando. Seja aqui no Brasil, seja na África.

Penso que da mesma forma que empresas de internet existem e fazem novos ricos pelo mundo, sem mesmo você ter participação ou conhecimento, muitas novas formas de enriquecer com a rede de computadores podem ser identificadas. Alguns dados divulgados pelo IBGE contribuem para acreditar nisto. No Brasil em cada 10 domicílios, 3 possuem PC, são 18 milhões de computadores para 191 milhões de brasileiros, e destes apenas 14 milhões estão conectados a internet. Ou seja, são 31,2% de domicílios brasileiros com computador, sendo que destes, somente 24% possuem acesso a internet. Outros dados interessantes mostram a grandeza do nosso país, sua concentração e desigualdades. Destes 14 milhões de PC´s no Brasil, 10 milhões estão localizados na região sudeste. O telefone, que é uma invenção de 1875, seja na forma residencial ou celular, ocupa pouco mais de 80% das casas brasileiras. Isto mostra o potencial de crescimento, identificação de novos nichos, de surgimento de novas idéias, que a internet nos reserva.

O Brasil é um país que não incentiva o surgimento de novas empresas. Não oferece condições para o desenvolvimento do empreendedorismo. Isto está fundido na cabeça das famílias, que preferem ver o filho entrar em uma empresa, saindo dela aposentado depois de 30 anos. Uma legião de funcionários acomodados, medrosos, que possuem boas idéias, mas não tem apoio nem mesmo da própria família para buscar a satisfação com seu próprio negócio. A provável prosperidade morre no primeiro, “não vai dar certo, não seja louco”. O apoio também não acontece nas universidades. Por outro lado, nosso país tem muito a crescer, pois esta nova geração já nasce conectada, com um acesso maior a informação. O público da web pode ser considerado mais qualificado, quando se comparado ao que não a utiliza. Um maior acesso a estas tecnologias pode homogeneizar o povo brasileiro, oferecendo maiores oportunidades ao atingir mais pessoas.

Curiosidade

Curiosidade

Falta de dinheiro e fracassos iniciais não são desculpas. Procurem ler a biografia do homem mais rico do Brasil, o bilionário Eike Batista, que começou comprando pedras preciosas em pequenas quantidades, com dinheiro emprestado e hoje possui negócios em diferentes áreas, um empreendedor nato. Outro exemplo é Silvio Santos, o grande comunicador, que fez fortuna vendendo inicialmente canetas, passando por propagandas de rádio, hoje dono de uma grande emissora de TV. Estes são estímulos, que agora somados a história da empresa Buscapé e seus fundadores, vem para acrescentar os exemplos de sucesso em nosso país, pessoas que transformam sua vocação em maneiras de ganhar dinheiro, muito dinheiro.

Transformar informação em conhecimento, persistência, curiosidade, prazer em descobrir coisas novas, inovação e novos milionários surgirão.

Músicas ouvidas durante o postVivendo do Ócio – Terra Virar Mente; Oh, Não!; Meu Precioso; É Melhor Pensar Duas Vezes; Dilema; Fora, Mônica; Seja Como Quiser; Viés; Lado Ruim, Hey!Hey!; Caindo na Estrada; Rock Pub Baby; Lado Ruim PT II; Amor Em Fúria. Móveis Coloniais de Acaju – Perca Peso (A Terceira Metade do Meu Estresse); Seria o Rolex (Ego e Latrina); Aluga-se-vende (Sujeito a Mudança); Copacabana (Devaneios de Um Cubano Cubista); Menina-moça (A Receita Que Ofélia Não Ensinou); Menina-moça (A Receita Que Ofélia Não Ensinou); Esquilo Não Samba (O Triste e Recorrente Medo); E agora, Gregório (Metamorfossa); Swing hum e meio (O Homem, a Verdade e a Castanha); Do Mesmo Ar (Pra não Dizer que Não Somos Melosos); Sadô-masô (A Vida é Tão Fácil Para Quem Não a Vive); Receio do Remorso (Remorso do Receio). (Destaque para todas).

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Saber é Poder

Já se perguntou por que os carros desvalorizam após algum tempo de uso? Ou por que os bancos não baixam as taxas de juros mesmo com a grande demanda de empréstimos?

Fenômenos como estes são estudados através de uma teoria lançada por 3 ganhadores do prêmio Nobel de Economia, George Akerlof, Joseph Stiglitz e Michael Spence. É a Teoria dos Mercados de Informação Assimétrica, que foi desenvolvida lá nos anos 70. Segundo ela, no mercado cada agente possui um nível diferenciado de informação. Diretores são mais informados que acionistas sobre a lucratividade da empresa; Os vendedores conhecem melhor que os clientes a qualidade dos produtos; Por outro lado, os clientes sabem mais sobre o seu risco de acidente que as seguradoras.

Assimetria de informação está no nosso dia a dia, é parte de nossas vidas

O termo “informação assimétrica” é bastante usado pelas empresas de seguro, bem como no mercado financeiro, provocando verdadeiras revoluções nestas áreas. Para simplificar, a assimetria de informação acontece quando um dos agentes numa dada transação dispõe de informação (importante) que o outro não possui, ou até mesmo, quando um dos agentes não consegue antever as ações do outro. Assim, cria-se uma desvantagem para um dos lados.

Saber é Poder

Saber é Poder

Este cenário é considerado comum na economia, e também na sua vida. Atire a primeira pedra quem sabe tudo sobre tudo.

Exemplo: A venda de carros usados é uma informação imperfeita. Os carros podem possuir defeitos escondidos, alguns estão em piores condições que outros. Leva-se  também em consideração que somente vende quem tem o pior carro, e a um determinado nível de preços. Já os carros em melhores condições, logo são retirados do mercado (vendidos mais rapidamente). O comprador já vai para a negociação disposto a pagar um preço mais baixo pela mercadoria, já que quem tem um carro em bom estado, não quer vender, pois receberá pouco. Assim, restam no mercado os produtos de baixa qualidade, o que eleva a desconfiança dos consumidores. Isto responde a questão inicial, do por que de tamanha desvalorização após certo tempo.

O vendedor tem mais informação do que os compradores, ou seja, existe informação assimétrica entre vendedores e compradores.

Os compradores precisam de algumas sinalizações que indicam qualidade do produto (neste caso o carro) que está sendo ofertado. São ações para garantir a qualidade, como por exemplo o aumento da garantia, gasto maior com showroom (uma loja mais imponente) mostrando que os vendedores não pretendem desaparecer do mapa. A baixa kilometragem. O carro ser de um único dono. A procedência com todo o histórico do bem. O preço mais alto também pode sinalizar que a qualidade é mais alta. Todas estas formas de sinalização, servem para dar mais credibilidade ao produto ofertado.

Vende-se carro semi novo, baixa kilometragem, excelente estado de conservação

Vende-se carro semi novo, baixa kilometragem, econômico, único dono, com procedência, em excelente estado de conservação. Tratar no Ferro Velho.

Risco Moral

Este é um termo que vem do mercado de seguros. É uma forma de evitar a ocorrência (sinistro) para a qual o segurado tinha o seguro. Exemplo: Se o seguro fosse maior que 100% do valor da perda (do valor do bem), o assegurado poderia forçar a perda, o que seria considerado “imoral”. Este “risco moral”, refere-se a mudança de comportamento do segurado em função de não ter que comportar o custo total do atendimento. Exemplo, antes de fazer o seguro, a pessoa tinha uma postura cautelosa como condutor, afim de evitar acidentes e danos ao seu patrimônio (seu carro). Mas após assinar o seguro, o comportamento deste mesmo condutor muda de tal modo que, a probabilidade do resultado não favorável (sinistro) aumenta consideravelmente. Assim, a assimetria de informação também afeta o mercado de seguros, pois as companhias não conhecem a real situação de risco dos clientes (clientes duas caras, chame como quiser). Justamente por isto, as seguradoras desenvolveram incentivos para que os clientes revelem seu risco. Esta portanto, é uma forma de separar os bons clientes dos maus clientes.

Separar a clara da gema

Separar a clara da gema

No campo dos empréstimos bancários, quem geralmente pede dinheiro emprestado não consegue quitar sua dívida. Já quem pode pagar, está em condições financeiras melhores e por isto, não precisa de empréstimos. O mercado assim é composto por pessoas que não conseguem pagar pelos empréstimos. Com a inadimplência destes clientes, os juros aumentam, afastando potenciais clientes dos bancos e favorecendo a proliferação de agiotas. Para reduzir as perdas com os maus pagadores, as instituições bancárias preferem reduzir o volume de empréstimos a aumentar a taxa de juros.

O mesmo ocorre no mercado de seguros de saúde, onde as taxas são altíssimas e quem tem boa saúde não costuma ter plano de saúde. Os clientes das seguradoras são pessoas mais propensas a doenças (utilizar o seguro), o que reduz seu lucro.

Este ciclo que poderia levar ao colapso da economia, com prejuízos pessoais e falências generalizadas, faz com que as empresas e as pessoas usem os artifícios ditos acima, conduzindo para o aperfeiçoamento dos contratos, como forma de escapar à assimetria de informação.

Músicas ouvidas durante o postMarvin Gaye – Sexual Healing; Let´s Get It On; Please Stay (Once Your Away); If I Should Die Tonight; Keep Gettin’ It On; Come Get To This; Distant Lover; You Sure Love To Ball; Just To Keep You Satisfied; Song #3; My Love Is Growing; Cakes; Symphony; I’d Give My Life For You; I Love You Secretly; You Are The Man.  (Destaque para todas).


Prós e Contras da Fusão Sadia-Perdigão

A formação de megacorporações é ou não benéfica ao consumidor e ao mercado?

Esta é uma questão controversa. É uma discussão que permite saber como a sociedade reage a processos que não tem um controle completo.

É meus amigos, muito prazer, sou a globalização.

É meus amigos, muito prazer, sou a globalização.

Aqui no Brasil, já vivenciamos a criação da AmBev, a fusão de Kolynos e Colgate, Nestlé e Garoto e em maio de 2009 a fusão entre Perdigão e Sadia, resultando na Brasil Foods. Podemos analisar esta questão por diversos ângulos:

Do ângulo da empresa, muitas destas antes em crise e a beira da falência, a fusão passa a ser a melhor alternativa de sobrevivência num ambiente concorrencial. Estas se fortalecem, melhoram sua rentabilidade e se tornam mais competitivas para brigar com as corporações internacionais (a internacionalização é demonstrada no nome Brasil Foods, escolhido para designar a fusão entre Perdigão-Sadia). Existe a possibilidade de se diminuírem os custos com publicidade, distribuição e logística. Além de um maior investimento em pesquisa, maiores inovações, modernização, tornando o ramo de atuação da empresa mais dinâmico. Porém estes gastos com desenvolvimento do produto, muitas vezes não chegam ao consumidor, não impactando no preço final (os preços ao invés de caírem, podem até aumentar). Com isto, o faturamento destas megacorporações pode dobrar depois de alguns anos, como ocorreu com a fusão de Nestlé-Garoto. Com este aumento de preços, a participação no mercado que no início da fusão era quase que um monopólio, ao longo dos anos tende a diminuir consideravelmente (o consumidor não é totalmente burro), um exemplo é Kolynos-Colgate, que perdeu 14% do mercado em 8 anos.

Do ângulo do governo, e ai incluí-se a questão da economia do país, o número de empregos oferecidos por estas megacorporações além de se manter pode também aumentar, mais que dobrar em alguns casos, como da fusão entre Brahma-Antártica. É excelente para o país, pois este trabalhador estará recebendo salário e consumindo em diversos setores, movimentando a economia como um todo. Com a internacionalização da empresa, existe inclusive a abertura do mercado de trabalho para o brasileiro em outros países. Esta mesma internacionalização faz com que além do nome da empresa, o nome do Brasil seja levado ao exterior. Passamos a ser o país do futebol, do samba e de empresas lucrativas e competitivas. Com a fusão de empresas nacionais, afastamos o risco do capital estrangeiro adentrar em nosso país, ocasionando evasão de divisas. A arrecadação de impostos também aumenta, chegando a quadruplicar como ocorreu com a fusão entre Nestlé-Garoto e Brahma-Antártica. Estes impostos como todos nós sabemos, são revertidos para o nosso bem estar bem estar dos políticos.

Tem que rir pra não chorar.

Tem que rir pra não chorar.

Do ângulo do consumidor, a realidade é outra. Estas fusões significam a união de antigos rivais. É uma empresa a menos no mercado, diminuindo nossa liberdade de escolha. Este aumento de domínio do mercado, trás efeitos negativos para os consumidores e para os concorrentes menores. Antes, duas grandes empresas brigavam para oferecer o melhor produto, com o preço mais baixo para você. Mas agora estas empresas se uniram. Não existe mais a guerra para atrair consumidores, roubar consumidores da concorrência. O preço pode inclusive aumentar, já que não existirá mais a concorrente para forçar a queda nos preços muitas vezes abusivos. Sem contar a pressão realizada por estas megacorporações a fornecedores e ao seu Zé da mercearia, para evitar o aumento da concorrência.

 

aol-time-warnerAbro aqui um parêntese, pois existe também o outro lado da moeda, as fusões que não vingaram. Um exemplo que não deu certo foi a fusão das gigantes Time Warner e AOL em 2001, considerado um dos maiores da história, envolvendo US$ 124 bilhões. Recentemente, o negócio acabou sendo desfeito, pois nunca consumou a expectativa sobre sua viabilidade. É uma ironia, mas o que muitas megacorporações conseguiriam/melhoraram com a fusão, estas passarão a buscar a partir de agora seguindo com suas próprias pernas, separadas. O desmembramento vai oferecer às duas empresas uma maior flexibilidade estratégica e operacional.

Pois bem. Avaliando estes três ângulos (empresa, governo e consumidor), percebe-se que os maiores interessados e privilegiados são as próprias empresas e o governo. Para nós consumidores, resta esperar o julgamento dos órgãos que analisam estes casos de concorrência e abuso de poder econômico e nos representam. Um deles é o CADE (Conselho Administrativo de Defesa Econômica), que deve fazer um trabalho técnico e resistente a pressões políticas, já que é natural, na economia da concorrência e dos mercados, que haja interesses políticos por trás destas fusões.

A resposta para a pergunta inicial está longe de merecer um consenso de empresas, economistas e órgãos de defesa do consumidor. O que se espera com a fusão e o surgimento destas megacorporações, como Brahma-Antártica, Kolynos-Colgate e mais recentemente Sadia-Perdigão é a modernização destas empresas brasileiras, tornando-as mais competitivas no mercado externo, o aumento na arrecadação de impostos, a manutenção dos postos de trabalho, a diversidade e principalmente a qualidade de produtos, aliada a eficiência dos serviços prestados. Mas para nós consumidores, isso de nada adianta, se os preços praticados por estas megacorporações não sejam acessíveis e justos.

 

Fontes: The Economist, Kolynos Brasil, Nestlé, AmBev, ACNielsen.

 

Músicas ouvidas durante o postThe Divine Comedy – Something For The Weekend; Becoming More Like Alfie; Middle Class Heroes; In & Out of Paris & London; Charge; Songs of Love; Frog Princess; A Woman of The World; Through a Long & Sleepless Night; Casanova; The Dogs and Horses; Timestretched; Bad Ambassador; Perfect Love Song; Note to Self; Lost Property; Eye of The Needle; Love What You Do; Dumb It Down; Mastermind; Regeneration; The Beauty Regime; There is a Light That Never Goes Out (The Smiths cover).  (Destaque para todas).


A Lógica do Cisne Negro

Você já viu um et? Acredita que eles existem? Se você não acredita, talvez seja por uma simples razão. Você nunca viu um.

Talvez você não tenha olhado direito ao seu redor.

Talvez você não tenha olhado direito ao seu redor.

A lógica funciona também para os cisnes, que até que se prove o contrário são todos brancos. Mas para o libanês Nassim Nicholas Taleb, ex operador do mercado de ações, especialista em finanças e crítico da indústria, os cisnes negros também existem. Ele é o autor do Best Seller “A Lógica do Cisne Negro”, que ilustra a fragilidade de nosso conhecimento, com relação a falta de preparo para o acontecimento de situações raras e talvez únicas, ou seja, a probabilidade de ocorrer o improvável.  

No livro, são abordadas questões referentes a falta de visão para eventos aparentemente impossíveis. E isto não ocorre apenas em outros países, com outras famílias. Acontece com você! Cada um de nós possui um exemplo de uma mudança repentina no rumo de nossas vidas, algo que não estava planejado e mesmo assim aconteceu, como por exemplo a escolha da faculdade que cursamos, o local de moradia, encontrar alguém que não víamos a anos, encontrar cinquenta reais na rua. São situações que fogem ao nosso controle. Mesmo assim, pessoas ainda tendem a agir como se o óbvio fosse o mais esperado, mostrando a limitação do aprendizado calcado apenas em observações do cotidiano, impondo limites ao conhecimento.

cisne

O livro que ficou famoso após o agravamento da crise do mercado imobiliário nos EUA, trata da incerteza, momentos raros que mudam todo o trajeto sem aviso prévio. A disseminação da internet, o sucesso do GOOGLE, o tsunami no oceano Pacífico em 2004, os ataques de 11 de setembro, são apenas alguns exemplos de fenômenos que o autor chama de “Cisne Negro”. E quase tudo a sua volta pode estar enquadrado nesta definição. Para Taleb, devemos dar relevância a aquilo que não sabemos. Eventos que pegam todos de surpresa, ocasionando resultados impactantes. O autor chama de “tripé da opacidade”:

  • Ilusão da compreensão: Todos acham que sabem o que se passa no mundo. Porém este é bem mais complexo;
  • Distorção retrospectiva: Organização dos fatos de forma mais simples do que a verdadeira realidade;
  • Sobrevalorização da informação factual: Idealização dos fatos de maneira platônica. Tudo que irá acontecer, parece mais razoável e previsível.

Ledo engano, pois estamos constantemente a mercê do inesperado.

Somos hábeis na construção de frases: Como não pensei nisto antes? Como ele foi deixar isto acontecer? Que burro, dá zero pra ele.

Depois que passou é fácil falar

Depois que aconteceu é fácil falar.

Agimos como se tudo fosse acontecer naturalmente, como se somente existissem cisnes brancos. Ignoramos os problemas passados e a partir deles, não adquirimos a precaução necessária para as possíveis adversidades. “…Um pequeno número de cisnes negros explica quase tudo no mundo, do sucesso de idéias, religiões, às dinâmicas de eventos históricos e elementos de nossas vidas pessoais…” O efeito dos cisnes negros vem só aumentando “…o mundo começou a se tornar mais complicado, e os eventos comuns, aqueles que discutimos e estudamos e tentamos prever por meio de leitura de jornais, tornam-se cada vez menos importantes.” O que você sabe, não pode machucá-lo. Portanto, não foque somente no específico, esteja atento ao que acontece no geral. Não seja ingênuo e tão pouco arrogante em relação a aquilo que acha que sabe. Abra os olhos e esteja preparado para identificar um cisne negro.

Respondendo a primeira pergunta, eu nunca vi um et, mas acredito que eles existem.

 

 

Músicas ouvidas durante o post: Noel Gallagher (First Noel Demo Tapes 1989)– What’s It Got to Do with You?; Hey You; What’s Been Happenin’?; But What If…; Gotta Have Fun; Noel Gallagher (The Dreams We Have As Children)- (It’s Good) To Be Free (unplugged); Talk Tonight (unplugged); Fade Away (unplugged); Cast No Shadow (unplugged); Half The World Away (unplugged); The Importance of Being Idle (unplugged); The Butterfly Collector (unplugged); All You Need is Love (unplugged); Don´t Go Away (unplugged); Listen Up (unplugged); Sad Song (unplugged); Wonderwall (unplugged); Slide Away (unplugged); There is a Light That Never Goes Out (unplugged); Don´t Look Back in Anger (unplugged); Married With Children (unplugged). (Destaque para todas).


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