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A Lógica do Cisne Negro

Você já viu um et? Acredita que eles existem? Se você não acredita, talvez seja por uma simples razão. Você nunca viu um.

Talvez você não tenha olhado direito ao seu redor.

Talvez você não tenha olhado direito ao seu redor.

A lógica funciona também para os cisnes, que até que se prove o contrário são todos brancos. Mas para o libanês Nassim Nicholas Taleb, ex operador do mercado de ações, especialista em finanças e crítico da indústria, os cisnes negros também existem. Ele é o autor do Best Seller “A Lógica do Cisne Negro”, que ilustra a fragilidade de nosso conhecimento, com relação a falta de preparo para o acontecimento de situações raras e talvez únicas, ou seja, a probabilidade de ocorrer o improvável.  

No livro, são abordadas questões referentes a falta de visão para eventos aparentemente impossíveis. E isto não ocorre apenas em outros países, com outras famílias. Acontece com você! Cada um de nós possui um exemplo de uma mudança repentina no rumo de nossas vidas, algo que não estava planejado e mesmo assim aconteceu, como por exemplo a escolha da faculdade que cursamos, o local de moradia, encontrar alguém que não víamos a anos, encontrar cinquenta reais na rua. São situações que fogem ao nosso controle. Mesmo assim, pessoas ainda tendem a agir como se o óbvio fosse o mais esperado, mostrando a limitação do aprendizado calcado apenas em observações do cotidiano, impondo limites ao conhecimento.

cisne

O livro que ficou famoso após o agravamento da crise do mercado imobiliário nos EUA, trata da incerteza, momentos raros que mudam todo o trajeto sem aviso prévio. A disseminação da internet, o sucesso do GOOGLE, o tsunami no oceano Pacífico em 2004, os ataques de 11 de setembro, são apenas alguns exemplos de fenômenos que o autor chama de “Cisne Negro”. E quase tudo a sua volta pode estar enquadrado nesta definição. Para Taleb, devemos dar relevância a aquilo que não sabemos. Eventos que pegam todos de surpresa, ocasionando resultados impactantes. O autor chama de “tripé da opacidade”:

  • Ilusão da compreensão: Todos acham que sabem o que se passa no mundo. Porém este é bem mais complexo;
  • Distorção retrospectiva: Organização dos fatos de forma mais simples do que a verdadeira realidade;
  • Sobrevalorização da informação factual: Idealização dos fatos de maneira platônica. Tudo que irá acontecer, parece mais razoável e previsível.

Ledo engano, pois estamos constantemente a mercê do inesperado.

Somos hábeis na construção de frases: Como não pensei nisto antes? Como ele foi deixar isto acontecer? Que burro, dá zero pra ele.

Depois que passou é fácil falar

Depois que aconteceu é fácil falar.

Agimos como se tudo fosse acontecer naturalmente, como se somente existissem cisnes brancos. Ignoramos os problemas passados e a partir deles, não adquirimos a precaução necessária para as possíveis adversidades. “…Um pequeno número de cisnes negros explica quase tudo no mundo, do sucesso de idéias, religiões, às dinâmicas de eventos históricos e elementos de nossas vidas pessoais…” O efeito dos cisnes negros vem só aumentando “…o mundo começou a se tornar mais complicado, e os eventos comuns, aqueles que discutimos e estudamos e tentamos prever por meio de leitura de jornais, tornam-se cada vez menos importantes.” O que você sabe, não pode machucá-lo. Portanto, não foque somente no específico, esteja atento ao que acontece no geral. Não seja ingênuo e tão pouco arrogante em relação a aquilo que acha que sabe. Abra os olhos e esteja preparado para identificar um cisne negro.

Respondendo a primeira pergunta, eu nunca vi um et, mas acredito que eles existem.

 

 

Músicas ouvidas durante o post: Noel Gallagher (First Noel Demo Tapes 1989)– What’s It Got to Do with You?; Hey You; What’s Been Happenin’?; But What If…; Gotta Have Fun; Noel Gallagher (The Dreams We Have As Children)- (It’s Good) To Be Free (unplugged); Talk Tonight (unplugged); Fade Away (unplugged); Cast No Shadow (unplugged); Half The World Away (unplugged); The Importance of Being Idle (unplugged); The Butterfly Collector (unplugged); All You Need is Love (unplugged); Don´t Go Away (unplugged); Listen Up (unplugged); Sad Song (unplugged); Wonderwall (unplugged); Slide Away (unplugged); There is a Light That Never Goes Out (unplugged); Don´t Look Back in Anger (unplugged); Married With Children (unplugged). (Destaque para todas).


So Far So Good…

Esta é uma boa dica para quem gosta de assuntos polêmicos, e também para puxar papo com o gerente no churrasco da empresa. Não é nada relacionado a elogiar a nova estagiária, reclamar do cafezinho que está sempre frio, muito menos pedir uma promoção ou aumento de salário. Trata-se de um livro escrito por Joel Bakan chamado The Corporation: The Pathological Pursuit of Profit and Power, que em 2003 foi transformado em um documentário canadense, examinando a natureza, a evolução, os efeitos e possíveis qualidades das modernas corporações.

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Segundo o autor, as corporações inicialmente eram apenas associações de pessoas, encarregadas pelo Estado para executar alguma função específica. Se existisse a necessidade da construção de uma ponte, por exemplo, o grupo responsável por construir pontes era escalado, e assim por diante. O número de corporações era bastante reduzido nesta época (século XVI), além do mais, estas possuíam em seus estatutos sua principal função, o tempo que deveriam permanecer operando, quanto de dinheiro gastar, ou seja, era uma forma de servir apenas ao interesse público, nada além disso. Mas aqueles tempos eram outros…

O jogo começou a mudar com a necessidade de aumentar a produtividade e a enorme demanda por ferrovias, infra-estrutura e indústria pesada, surgidas com a guerra civil americana e a revolução industrial. Como houve a necessidade do surgimento de novas corporações subsidiadas pelo Governo Federal, estas, muito bem representadas pelos seus respectivos advogados, lutaram por uma maior autonomia, um maior poder.

Ao final da guerra civil americana, a 14ª emenda da constituição dos EUA foi aprovada. Nela estava escrito que nenhum Estado poderia tirar a vida, a liberdade, ou a propriedade sem estar amparada a um processo legal. Dando assim, direitos iguais às pessoas negras e protegendo os escravos recém liberados. Ocorreu que, as corporações se aproveitando desta brecha na lei, foram até os tribunais e exigiram os mesmos direitos, por se tratarem também de uma pessoa. Uma pessoa jurídica. Começava ai, na metade do século XIX, a mudança no papel das corporações, que passaram de insignificantes, para onipresentes como a igreja, a monarquia e o partido comunista foram em outros tempos.

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Conhece algum destes?

Atualmente, as corporações são instituições predominantes, exercendo grande poder e influência em nossas vidas, causando ao mesmo tempo enormes danos. São criações artificiais, que possuem o objetivo final de maximizar o lucro de seus acionistas e não mais servir ao interesse público. Surgem alguns questionamentos: Mas que tipo de pessoa é uma corporação? Possuem consciência moral? Preocupam-se com a sociedade? Levam em consideração os danos ao meio ambiente? A extração da matéria prima é feita de maneira sustentável? E quanto as externalidades? E quanto as pessoas que são exploradas nos países pobres? Somos manipulados para consumir determinados produtos?

As corporações hoje são capazes de tudo para se manter, aparecer e se destacar nesta eterna competição capitalista. Existe o caso interessante de um banco que patrocinou os estudos de dois universitários. Mataram dois coelhos com uma cajadada só como diriam, pois o assunto foi notícia nas principais mídias principalmente televisivas, sendo ao mesmo tempo uma “grande sacada” de marketing e promovendo o lado de preocupação social da empresa. Mas será que este banco quer ser realmente responsável, ou apenas quer ser identificado como responsável? hehehe, boa idéia eihm? Já pesquisou qual o custo de um comercial de 3 minutos no horário nobre da Globo? Eu não sei, mas deve ser bem mais oneroso que quatro anos de um curso universitário.

Muitos já ouviram falar do caso do leite adulterado no Estado da Flórida (EUA). Devido ao uso de um hormônio bovino de crescimento (Prosilac), que era aplicado nas vacas e absorvido pela carne, causando implicações na saúde humana, desenvolvendo inclusive câncer em algumas pessoas. Esse mesmo leite que era consumido pelas crianças nas escolas, era produzido pela centenária empresa Monsanto, que tem em seu lema “Food, Health, Hope”, ou em bom português “Alimento, Saúde, Esperança” (Saúde?). Eles manipularam profissionais de diferentes áreas, deturparam resultados de testes, para que seu produto fosse considerado bom, seguro e continuasse sendo comercializado. E no Brasil, que é um dos maiores exportadores de carne de frango, será que utilizam hormônio para um crescimento mais rápido destes animais? 

O cara deve ser anão.

O cara deve ser anão.

Outros assuntos também são tratados como o uso indiscriminado da água, a privatização de todo e qualquer tipo de empresa, corporações de pesquisa que querem patentear a vida humana…

O Governo que anteriormente tinha o poder sobre as corporações, perdeu o controle sobre elas. Mesmo sendo boas ou não, confiáveis ou não, prejudiciais ou não.  Hoje os papéis se inverteram, as grandes empresas se tornaram globais, os CEO´s ganharam poderes sem igual, e assim o capitalismo impera. Onde isto vai parar? A responsabilidade está no mercado e seus acionistas? Podemos dissolver estas companhias?

O Governo é o representante do povo, já as corporações visam somente o lucro, não se preocupam com as pessoas. Se todo e qualquer recurso e serviço for parar nas mãos das corporações, como fica o povo? Se não gostamos de determinado produto, se não gostamos do que a empresa faz, não consumimos, simples assim. Esta é a maneira de ver o poder da população. Nós como população, ao invés de somente criticar o Governo devemos participar mais das decisões. Você já recebeu o convite de alguma corporação, já foi consultado quando esta quer tomar uma decisão? Eu não.

O brasileiro ainda é bastante acomodado quando o assunto é protestar. Vejo isto ocorrer quando aumenta a passagem de ônibus (assunto recente aqui em Curitiba), ou morte por atropelamento, morte disso, morte daquilo. Greve por aumento salarial. OK, muito bem, são questões de resultado imediato (curto prazo). Agora assuntos que a princípio não lhes dizem respeito, em que os resultados só serão vistos e sentidos por nossos netos daqui a uns anos (longo prazo), são noticiados pela mídia, um faz um documentário aqui, outro escreve um livro ali, e fica por isso mesmo. Falta um maior comprometimento e uma capacidade de reflexão e indignação do povo quanto ao poder das corporações.  

SO FAR SO GOOD!*

*As coisas vão indo, porém logo vão haver problemas…

 

 

Músicas ouvidas durante o postOasis – Live Forever; Rock N Roll Star; Rocking Chair; I´m Outta Time; Falling Down; Supersonic; Acquiesce; Who Feels Love?; Champagne Supernova; Little James; Slide Away; Wonderwall; My Big Mouth; I Hope, I Think, I Know; The Girl in The Dirty Shirt; Don´t Go Away; It’s Gettin’ Better (Man!!); Bring It On Down (en vivo en la argentina); Morning Glory (en vivo en la argentina); The Masterplan; Songbird; Mucky Fingers; Whatever; The Shock of the Lightning; Love Like a Bomb; Guess God Thinks I’m Abel; Keep The Dream Alive; Fuckin’ in the Bushes (Live); Go Let It Out (Live); Roll with It (Live); (Probably) All In The Mind; Some Might Say (Live); Cum On Feel The Noize (live); Talk Tonight; Round Are Way; Cast No Shadow; Thank You For The Good Times; The Fame; Heroes; Alive; Gas Panic!; Where Did It All Go Wrong?; Sunday Morning Call; Underneath The Sky; Listen Up.  (Destaque para todas).


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