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Saber é Poder

Já se perguntou por que os carros desvalorizam após algum tempo de uso? Ou por que os bancos não baixam as taxas de juros mesmo com a grande demanda de empréstimos?

Fenômenos como estes são estudados através de uma teoria lançada por 3 ganhadores do prêmio Nobel de Economia, George Akerlof, Joseph Stiglitz e Michael Spence. É a Teoria dos Mercados de Informação Assimétrica, que foi desenvolvida lá nos anos 70. Segundo ela, no mercado cada agente possui um nível diferenciado de informação. Diretores são mais informados que acionistas sobre a lucratividade da empresa; Os vendedores conhecem melhor que os clientes a qualidade dos produtos; Por outro lado, os clientes sabem mais sobre o seu risco de acidente que as seguradoras.

Assimetria de informação está no nosso dia a dia, é parte de nossas vidas

O termo “informação assimétrica” é bastante usado pelas empresas de seguro, bem como no mercado financeiro, provocando verdadeiras revoluções nestas áreas. Para simplificar, a assimetria de informação acontece quando um dos agentes numa dada transação dispõe de informação (importante) que o outro não possui, ou até mesmo, quando um dos agentes não consegue antever as ações do outro. Assim, cria-se uma desvantagem para um dos lados.

Saber é Poder

Saber é Poder

Este cenário é considerado comum na economia, e também na sua vida. Atire a primeira pedra quem sabe tudo sobre tudo.

Exemplo: A venda de carros usados é uma informação imperfeita. Os carros podem possuir defeitos escondidos, alguns estão em piores condições que outros. Leva-se  também em consideração que somente vende quem tem o pior carro, e a um determinado nível de preços. Já os carros em melhores condições, logo são retirados do mercado (vendidos mais rapidamente). O comprador já vai para a negociação disposto a pagar um preço mais baixo pela mercadoria, já que quem tem um carro em bom estado, não quer vender, pois receberá pouco. Assim, restam no mercado os produtos de baixa qualidade, o que eleva a desconfiança dos consumidores. Isto responde a questão inicial, do por que de tamanha desvalorização após certo tempo.

O vendedor tem mais informação do que os compradores, ou seja, existe informação assimétrica entre vendedores e compradores.

Os compradores precisam de algumas sinalizações que indicam qualidade do produto (neste caso o carro) que está sendo ofertado. São ações para garantir a qualidade, como por exemplo o aumento da garantia, gasto maior com showroom (uma loja mais imponente) mostrando que os vendedores não pretendem desaparecer do mapa. A baixa kilometragem. O carro ser de um único dono. A procedência com todo o histórico do bem. O preço mais alto também pode sinalizar que a qualidade é mais alta. Todas estas formas de sinalização, servem para dar mais credibilidade ao produto ofertado.

Vende-se carro semi novo, baixa kilometragem, excelente estado de conservação

Vende-se carro semi novo, baixa kilometragem, econômico, único dono, com procedência, em excelente estado de conservação. Tratar no Ferro Velho.

Risco Moral

Este é um termo que vem do mercado de seguros. É uma forma de evitar a ocorrência (sinistro) para a qual o segurado tinha o seguro. Exemplo: Se o seguro fosse maior que 100% do valor da perda (do valor do bem), o assegurado poderia forçar a perda, o que seria considerado “imoral”. Este “risco moral”, refere-se a mudança de comportamento do segurado em função de não ter que comportar o custo total do atendimento. Exemplo, antes de fazer o seguro, a pessoa tinha uma postura cautelosa como condutor, afim de evitar acidentes e danos ao seu patrimônio (seu carro). Mas após assinar o seguro, o comportamento deste mesmo condutor muda de tal modo que, a probabilidade do resultado não favorável (sinistro) aumenta consideravelmente. Assim, a assimetria de informação também afeta o mercado de seguros, pois as companhias não conhecem a real situação de risco dos clientes (clientes duas caras, chame como quiser). Justamente por isto, as seguradoras desenvolveram incentivos para que os clientes revelem seu risco. Esta portanto, é uma forma de separar os bons clientes dos maus clientes.

Separar a clara da gema

Separar a clara da gema

No campo dos empréstimos bancários, quem geralmente pede dinheiro emprestado não consegue quitar sua dívida. Já quem pode pagar, está em condições financeiras melhores e por isto, não precisa de empréstimos. O mercado assim é composto por pessoas que não conseguem pagar pelos empréstimos. Com a inadimplência destes clientes, os juros aumentam, afastando potenciais clientes dos bancos e favorecendo a proliferação de agiotas. Para reduzir as perdas com os maus pagadores, as instituições bancárias preferem reduzir o volume de empréstimos a aumentar a taxa de juros.

O mesmo ocorre no mercado de seguros de saúde, onde as taxas são altíssimas e quem tem boa saúde não costuma ter plano de saúde. Os clientes das seguradoras são pessoas mais propensas a doenças (utilizar o seguro), o que reduz seu lucro.

Este ciclo que poderia levar ao colapso da economia, com prejuízos pessoais e falências generalizadas, faz com que as empresas e as pessoas usem os artifícios ditos acima, conduzindo para o aperfeiçoamento dos contratos, como forma de escapar à assimetria de informação.

Músicas ouvidas durante o postMarvin Gaye – Sexual Healing; Let´s Get It On; Please Stay (Once Your Away); If I Should Die Tonight; Keep Gettin’ It On; Come Get To This; Distant Lover; You Sure Love To Ball; Just To Keep You Satisfied; Song #3; My Love Is Growing; Cakes; Symphony; I’d Give My Life For You; I Love You Secretly; You Are The Man.  (Destaque para todas).


So Far So Good…

Esta é uma boa dica para quem gosta de assuntos polêmicos, e também para puxar papo com o gerente no churrasco da empresa. Não é nada relacionado a elogiar a nova estagiária, reclamar do cafezinho que está sempre frio, muito menos pedir uma promoção ou aumento de salário. Trata-se de um livro escrito por Joel Bakan chamado The Corporation: The Pathological Pursuit of Profit and Power, que em 2003 foi transformado em um documentário canadense, examinando a natureza, a evolução, os efeitos e possíveis qualidades das modernas corporações.

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Segundo o autor, as corporações inicialmente eram apenas associações de pessoas, encarregadas pelo Estado para executar alguma função específica. Se existisse a necessidade da construção de uma ponte, por exemplo, o grupo responsável por construir pontes era escalado, e assim por diante. O número de corporações era bastante reduzido nesta época (século XVI), além do mais, estas possuíam em seus estatutos sua principal função, o tempo que deveriam permanecer operando, quanto de dinheiro gastar, ou seja, era uma forma de servir apenas ao interesse público, nada além disso. Mas aqueles tempos eram outros…

O jogo começou a mudar com a necessidade de aumentar a produtividade e a enorme demanda por ferrovias, infra-estrutura e indústria pesada, surgidas com a guerra civil americana e a revolução industrial. Como houve a necessidade do surgimento de novas corporações subsidiadas pelo Governo Federal, estas, muito bem representadas pelos seus respectivos advogados, lutaram por uma maior autonomia, um maior poder.

Ao final da guerra civil americana, a 14ª emenda da constituição dos EUA foi aprovada. Nela estava escrito que nenhum Estado poderia tirar a vida, a liberdade, ou a propriedade sem estar amparada a um processo legal. Dando assim, direitos iguais às pessoas negras e protegendo os escravos recém liberados. Ocorreu que, as corporações se aproveitando desta brecha na lei, foram até os tribunais e exigiram os mesmos direitos, por se tratarem também de uma pessoa. Uma pessoa jurídica. Começava ai, na metade do século XIX, a mudança no papel das corporações, que passaram de insignificantes, para onipresentes como a igreja, a monarquia e o partido comunista foram em outros tempos.

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Conhece algum destes?

Atualmente, as corporações são instituições predominantes, exercendo grande poder e influência em nossas vidas, causando ao mesmo tempo enormes danos. São criações artificiais, que possuem o objetivo final de maximizar o lucro de seus acionistas e não mais servir ao interesse público. Surgem alguns questionamentos: Mas que tipo de pessoa é uma corporação? Possuem consciência moral? Preocupam-se com a sociedade? Levam em consideração os danos ao meio ambiente? A extração da matéria prima é feita de maneira sustentável? E quanto as externalidades? E quanto as pessoas que são exploradas nos países pobres? Somos manipulados para consumir determinados produtos?

As corporações hoje são capazes de tudo para se manter, aparecer e se destacar nesta eterna competição capitalista. Existe o caso interessante de um banco que patrocinou os estudos de dois universitários. Mataram dois coelhos com uma cajadada só como diriam, pois o assunto foi notícia nas principais mídias principalmente televisivas, sendo ao mesmo tempo uma “grande sacada” de marketing e promovendo o lado de preocupação social da empresa. Mas será que este banco quer ser realmente responsável, ou apenas quer ser identificado como responsável? hehehe, boa idéia eihm? Já pesquisou qual o custo de um comercial de 3 minutos no horário nobre da Globo? Eu não sei, mas deve ser bem mais oneroso que quatro anos de um curso universitário.

Muitos já ouviram falar do caso do leite adulterado no Estado da Flórida (EUA). Devido ao uso de um hormônio bovino de crescimento (Prosilac), que era aplicado nas vacas e absorvido pela carne, causando implicações na saúde humana, desenvolvendo inclusive câncer em algumas pessoas. Esse mesmo leite que era consumido pelas crianças nas escolas, era produzido pela centenária empresa Monsanto, que tem em seu lema “Food, Health, Hope”, ou em bom português “Alimento, Saúde, Esperança” (Saúde?). Eles manipularam profissionais de diferentes áreas, deturparam resultados de testes, para que seu produto fosse considerado bom, seguro e continuasse sendo comercializado. E no Brasil, que é um dos maiores exportadores de carne de frango, será que utilizam hormônio para um crescimento mais rápido destes animais? 

O cara deve ser anão.

O cara deve ser anão.

Outros assuntos também são tratados como o uso indiscriminado da água, a privatização de todo e qualquer tipo de empresa, corporações de pesquisa que querem patentear a vida humana…

O Governo que anteriormente tinha o poder sobre as corporações, perdeu o controle sobre elas. Mesmo sendo boas ou não, confiáveis ou não, prejudiciais ou não.  Hoje os papéis se inverteram, as grandes empresas se tornaram globais, os CEO´s ganharam poderes sem igual, e assim o capitalismo impera. Onde isto vai parar? A responsabilidade está no mercado e seus acionistas? Podemos dissolver estas companhias?

O Governo é o representante do povo, já as corporações visam somente o lucro, não se preocupam com as pessoas. Se todo e qualquer recurso e serviço for parar nas mãos das corporações, como fica o povo? Se não gostamos de determinado produto, se não gostamos do que a empresa faz, não consumimos, simples assim. Esta é a maneira de ver o poder da população. Nós como população, ao invés de somente criticar o Governo devemos participar mais das decisões. Você já recebeu o convite de alguma corporação, já foi consultado quando esta quer tomar uma decisão? Eu não.

O brasileiro ainda é bastante acomodado quando o assunto é protestar. Vejo isto ocorrer quando aumenta a passagem de ônibus (assunto recente aqui em Curitiba), ou morte por atropelamento, morte disso, morte daquilo. Greve por aumento salarial. OK, muito bem, são questões de resultado imediato (curto prazo). Agora assuntos que a princípio não lhes dizem respeito, em que os resultados só serão vistos e sentidos por nossos netos daqui a uns anos (longo prazo), são noticiados pela mídia, um faz um documentário aqui, outro escreve um livro ali, e fica por isso mesmo. Falta um maior comprometimento e uma capacidade de reflexão e indignação do povo quanto ao poder das corporações.  

SO FAR SO GOOD!*

*As coisas vão indo, porém logo vão haver problemas…

 

 

Músicas ouvidas durante o postOasis – Live Forever; Rock N Roll Star; Rocking Chair; I´m Outta Time; Falling Down; Supersonic; Acquiesce; Who Feels Love?; Champagne Supernova; Little James; Slide Away; Wonderwall; My Big Mouth; I Hope, I Think, I Know; The Girl in The Dirty Shirt; Don´t Go Away; It’s Gettin’ Better (Man!!); Bring It On Down (en vivo en la argentina); Morning Glory (en vivo en la argentina); The Masterplan; Songbird; Mucky Fingers; Whatever; The Shock of the Lightning; Love Like a Bomb; Guess God Thinks I’m Abel; Keep The Dream Alive; Fuckin’ in the Bushes (Live); Go Let It Out (Live); Roll with It (Live); (Probably) All In The Mind; Some Might Say (Live); Cum On Feel The Noize (live); Talk Tonight; Round Are Way; Cast No Shadow; Thank You For The Good Times; The Fame; Heroes; Alive; Gas Panic!; Where Did It All Go Wrong?; Sunday Morning Call; Underneath The Sky; Listen Up.  (Destaque para todas).


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