So Far So Good…

Esta é uma boa dica para quem gosta de assuntos polêmicos, e também para puxar papo com o gerente no churrasco da empresa. Não é nada relacionado a elogiar a nova estagiária, reclamar do cafezinho que está sempre frio, muito menos pedir uma promoção ou aumento de salário. Trata-se de um livro escrito por Joel Bakan chamado The Corporation: The Pathological Pursuit of Profit and Power, que em 2003 foi transformado em um documentário canadense, examinando a natureza, a evolução, os efeitos e possíveis qualidades das modernas corporações.

corporation-blog32

Segundo o autor, as corporações inicialmente eram apenas associações de pessoas, encarregadas pelo Estado para executar alguma função específica. Se existisse a necessidade da construção de uma ponte, por exemplo, o grupo responsável por construir pontes era escalado, e assim por diante. O número de corporações era bastante reduzido nesta época (século XVI), além do mais, estas possuíam em seus estatutos sua principal função, o tempo que deveriam permanecer operando, quanto de dinheiro gastar, ou seja, era uma forma de servir apenas ao interesse público, nada além disso. Mas aqueles tempos eram outros…

O jogo começou a mudar com a necessidade de aumentar a produtividade e a enorme demanda por ferrovias, infra-estrutura e indústria pesada, surgidas com a guerra civil americana e a revolução industrial. Como houve a necessidade do surgimento de novas corporações subsidiadas pelo Governo Federal, estas, muito bem representadas pelos seus respectivos advogados, lutaram por uma maior autonomia, um maior poder.

Ao final da guerra civil americana, a 14ª emenda da constituição dos EUA foi aprovada. Nela estava escrito que nenhum Estado poderia tirar a vida, a liberdade, ou a propriedade sem estar amparada a um processo legal. Dando assim, direitos iguais às pessoas negras e protegendo os escravos recém liberados. Ocorreu que, as corporações se aproveitando desta brecha na lei, foram até os tribunais e exigiram os mesmos direitos, por se tratarem também de uma pessoa. Uma pessoa jurídica. Começava ai, na metade do século XIX, a mudança no papel das corporações, que passaram de insignificantes, para onipresentes como a igreja, a monarquia e o partido comunista foram em outros tempos.

corporation-blog2

Conhece algum destes?

Atualmente, as corporações são instituições predominantes, exercendo grande poder e influência em nossas vidas, causando ao mesmo tempo enormes danos. São criações artificiais, que possuem o objetivo final de maximizar o lucro de seus acionistas e não mais servir ao interesse público. Surgem alguns questionamentos: Mas que tipo de pessoa é uma corporação? Possuem consciência moral? Preocupam-se com a sociedade? Levam em consideração os danos ao meio ambiente? A extração da matéria prima é feita de maneira sustentável? E quanto as externalidades? E quanto as pessoas que são exploradas nos países pobres? Somos manipulados para consumir determinados produtos?

As corporações hoje são capazes de tudo para se manter, aparecer e se destacar nesta eterna competição capitalista. Existe o caso interessante de um banco que patrocinou os estudos de dois universitários. Mataram dois coelhos com uma cajadada só como diriam, pois o assunto foi notícia nas principais mídias principalmente televisivas, sendo ao mesmo tempo uma “grande sacada” de marketing e promovendo o lado de preocupação social da empresa. Mas será que este banco quer ser realmente responsável, ou apenas quer ser identificado como responsável? hehehe, boa idéia eihm? Já pesquisou qual o custo de um comercial de 3 minutos no horário nobre da Globo? Eu não sei, mas deve ser bem mais oneroso que quatro anos de um curso universitário.

Muitos já ouviram falar do caso do leite adulterado no Estado da Flórida (EUA). Devido ao uso de um hormônio bovino de crescimento (Prosilac), que era aplicado nas vacas e absorvido pela carne, causando implicações na saúde humana, desenvolvendo inclusive câncer em algumas pessoas. Esse mesmo leite que era consumido pelas crianças nas escolas, era produzido pela centenária empresa Monsanto, que tem em seu lema “Food, Health, Hope”, ou em bom português “Alimento, Saúde, Esperança” (Saúde?). Eles manipularam profissionais de diferentes áreas, deturparam resultados de testes, para que seu produto fosse considerado bom, seguro e continuasse sendo comercializado. E no Brasil, que é um dos maiores exportadores de carne de frango, será que utilizam hormônio para um crescimento mais rápido destes animais? 

O cara deve ser anão.

O cara deve ser anão.

Outros assuntos também são tratados como o uso indiscriminado da água, a privatização de todo e qualquer tipo de empresa, corporações de pesquisa que querem patentear a vida humana…

O Governo que anteriormente tinha o poder sobre as corporações, perdeu o controle sobre elas. Mesmo sendo boas ou não, confiáveis ou não, prejudiciais ou não.  Hoje os papéis se inverteram, as grandes empresas se tornaram globais, os CEO´s ganharam poderes sem igual, e assim o capitalismo impera. Onde isto vai parar? A responsabilidade está no mercado e seus acionistas? Podemos dissolver estas companhias?

O Governo é o representante do povo, já as corporações visam somente o lucro, não se preocupam com as pessoas. Se todo e qualquer recurso e serviço for parar nas mãos das corporações, como fica o povo? Se não gostamos de determinado produto, se não gostamos do que a empresa faz, não consumimos, simples assim. Esta é a maneira de ver o poder da população. Nós como população, ao invés de somente criticar o Governo devemos participar mais das decisões. Você já recebeu o convite de alguma corporação, já foi consultado quando esta quer tomar uma decisão? Eu não.

O brasileiro ainda é bastante acomodado quando o assunto é protestar. Vejo isto ocorrer quando aumenta a passagem de ônibus (assunto recente aqui em Curitiba), ou morte por atropelamento, morte disso, morte daquilo. Greve por aumento salarial. OK, muito bem, são questões de resultado imediato (curto prazo). Agora assuntos que a princípio não lhes dizem respeito, em que os resultados só serão vistos e sentidos por nossos netos daqui a uns anos (longo prazo), são noticiados pela mídia, um faz um documentário aqui, outro escreve um livro ali, e fica por isso mesmo. Falta um maior comprometimento e uma capacidade de reflexão e indignação do povo quanto ao poder das corporações.  

SO FAR SO GOOD!*

*As coisas vão indo, porém logo vão haver problemas…

 

 

Músicas ouvidas durante o postOasis – Live Forever; Rock N Roll Star; Rocking Chair; I´m Outta Time; Falling Down; Supersonic; Acquiesce; Who Feels Love?; Champagne Supernova; Little James; Slide Away; Wonderwall; My Big Mouth; I Hope, I Think, I Know; The Girl in The Dirty Shirt; Don´t Go Away; It’s Gettin’ Better (Man!!); Bring It On Down (en vivo en la argentina); Morning Glory (en vivo en la argentina); The Masterplan; Songbird; Mucky Fingers; Whatever; The Shock of the Lightning; Love Like a Bomb; Guess God Thinks I’m Abel; Keep The Dream Alive; Fuckin’ in the Bushes (Live); Go Let It Out (Live); Roll with It (Live); (Probably) All In The Mind; Some Might Say (Live); Cum On Feel The Noize (live); Talk Tonight; Round Are Way; Cast No Shadow; Thank You For The Good Times; The Fame; Heroes; Alive; Gas Panic!; Where Did It All Go Wrong?; Sunday Morning Call; Underneath The Sky; Listen Up.  (Destaque para todas).

Sobre decheers

Autor: Formado em Economia pela FAE Business School. Meu nome é André Marques a.k.a. Dé Cheers, nasci em 1981. Sou formado em economia pela FAE Business School. Sou torcedor do Sport Club Corinthians Paulista, o Timão. Viciado em Oasis, The Smiths e atualmente ouvindo música índie. Me considero divertido, aventureiro, criativo e mente aberta. Gosto de novidade. Não perco um episódio de LOST, sou capaz de assistir uns 10 em sequência. Comecei a acompanhar HEROES, mas já parei com a droga. No momento ENTOURAGE está no período de experiência. Me chame para ir ao teatro, mas nunca para ver Lago dos Cisnes. Odeio musicais. Durmo no cimena, por isso sou boa companhia, já que não faço comentários durante o filme. Minha empreitada no mundo da Blogosfera com o Livre Iniciativa está voltada a assuntos aleatórios como economia, fotografia, biografias, gastronomia, música, cinema, livros, e o que me der vontade. Sou muito fã do estilo Ruy Castro de escrever. Este é um blog pessoal, que expressa apenas o meu ponto de vista, sobre os diferentes assuntos aqui abordados. Um abraço e boa leitura, Dé Cheers Ver todos os artigos de decheers

14 respostas para “So Far So Good…

  • Renato Gomes Sobral Barcellos

    Sua análise sobre o filme ficou bastante elucidativa para quem ainda não viu. como prof. de geografia do ensino médio, recomendo aos demais professores e pais a virem o filme e discutirem posteriormente nossos valores de bens e desejos que temos.
    Aproveito para agradecer o seu post no meu blog e a reciprocidade é a mesma.

    Renato G.S. Barcellos

  • andre

    as coisas sao assim/hoje as coorporaçoes mandam no governo/nos anos 80 ja era assim/ nos anos 70 tambem/ a U.R.S.S. foi um coorporação que deu certo caso nao fosse a roubalheira do soviet supremo…foda – mudar de que jeito – ao inves de atacarmos o estado a tiros vamos atacar as mutinacionais com bazucas…destruir as coorporaçoes…quem sabe…

  • Elisia Bass

    infelizmente somos sim acomodados… vejo até ao meu redor quando quero fazer algo para mudar e outros nada fazem.. não assisti mas pretendo !! valeu a crítica..
    http://caminhosdabio.blogspot.com/

  • JONATAS

    Q MAAAÇA VEI…
    QUERO UM GALO DAQUELE…
    OIA, BLOG MAÇA AE VISS…

  • grupo gauche

    Mesmo entendendo pouco de economia, somos da área de literatura, me pareceu interessante o livro/documentario. principalmente com essa indicação em seu texto. e tenho q comentar que adorei as musicas durante o post hahaha

  • Paloma Piragibe

    preciso, preciso ver…
    amei, viu?!
    alto nível de informação! parabéns!

    mundinho capitalista selvagem nos sufoca… e saber que seja qual for o “Motor” de cada um, trabalho de cada um… Que acrescente à sociedade!
    E muito…

    abs e sucesso,
    http://www.doips.blogspot.com

  • Noga

    Rapaz.. perfeitamente fácil de entender a quantidade de músicas que vc ouviu durante o post! rss.. e percebe-se, ainda, que música pode deixar alguém empolgado ao postar! rss

    Bom post, interessante!

    “Nós como população, ao invés de somente criticar o Governo devemos participar mais das decisões. Você já recebeu o convite de alguma corporação, já foi consultado quando esta quer tomar uma decisão? Eu não.” E nem seremos, meu caro.. a não ser que façamos parte do seu público-alvo. Assim, teremos chance de participar de alguma pesquisa de mercado.

    Afinal de contas, olhando pelo lado da empresa, do empreendedor, pq ele quereria sua opinião na decisão de exportar ou não? Qual a importância de sua opinião sobre o fato de ele abrir ou não uma nova fábrica?

    Abraços!

  • Emerson Reis

    Gostei da análise. Realmente as corporações inicialmente visam o lucro, somente. Mas como você mesmo escreveu, podemos desconfiar de toda e qualquer iniciativa delas, mas não nos esqueçamos que as corporações são formadas de pessoas. Pessoas que, mesmo anonimamente, decidem pelas corporações. E são os acionistas das corporações, estes sim tão somente visando o lucro, é que decidem majoritariamente por elas. Nesse nosso mundinho cada vez menor, por vezes vemos pessoas decidirem um tanto na contramão disso tudo. É o chamado empreendedorismo social, sim, isso existe. Operações que por vezes não dão o maior lucro, mas que podem fazer alguns acionistas dormirem melhor, sabendo que a corporação não tá com o filme tão queimado. Cabe a nós, na olha de comprarmos algum produto, observar o comportamento ético da corporação envolvida, e às vezes decidir por algo que, mesmo mais caro, possa ter embutido no preço o chamado “fair trust”, ou comércio justo, que remunera melhor o produtor, por exemplo, seja já nos hortifrutigrangeiros ou em produtos artesanalmente publicados. A decisão das corporações dominarem o mundo é nossa, de consumidores, que no momento de agir como tal pensamos somente no prazer imediato de gastar menos e não vemos a dor a longo prazo, que é sustentar enormes corporações que poluem imensamente e também não aprendemos a reciclar e “nos virar” minimamente. Creio que quando o consumidor tiver a verdadeira noção de que ele é o verdadeiro patrão, as corporações vão mudando e se adaptando, seja para ganhar mais dinheiro ou para sumirem de vez, que é o que acontece muitas vezes. Talvez para alguns o dinheiro não seja tudo e haja outros valores em jogo.

  • Rozangela Melo

    O interessante é que vc recomenda e faz uma análise do assunto em questão. Aguça a vontade do leitor.
    Beijinhos!!
    http://www.cgfilmes.blogspot.com

  • adenilson

    espero q esse documentário seja d facil acesso
    coisas asism são dificieis d encontrar
    mas quero ver.
    akela imagem com logos d multinacionais
    me lembrou um jogo q eu tinha no esxcel de colokar o nome do logo q tinha lá.
    eram 100 logos.
    até hoje faltam 10 pra termiar
    aoisjoiajsoiajsoias.
    maldito mundo cpaitalista!

    magina empresas se fundindo!..
    mc donald´s com habib´s
    apokspoakspoa

    brigado por passar no meu blog
    atualizei viow ?
    iria atualizar sexta mas não aguentei!

    http://www.bagageirodocurioso.spaceblog.com.br

    sabe q eh bmvind lá!
    abraço e boa kinta

  • Christiane Teixeira

    Olá,

    estava procurando matéria sobre a “crise” na internet e achei um post do Albert Einstein sobre o assunto.
    Achei seu blog muito legal. No post sobre corporação, que deixo aqui meu comentário, você retirou meus pensamentos e transformou em palavras. Sobre a privatiçação da água… caraca… estamos ferrados!!!
    Belo texto! Parabéns pelo blog!

    Chris

  • A Probabilidade do Improvável « Livre Iniciativa Blog

    […] que falam com uma arrogância tremenda, recebendo fortunas para aumentar o lucro dos acionistas das grandes corporações, ou proferindo entrevistas em TV´s e jornais, orientando a população que não entende nada de […]

  • Prós e Contras da Fusão Sadia-Perdigão « Livre Iniciativa Blog

    […] e Contras da Fusão Sadia-Perdigão By decheers A formação de megacorporações é ou não benéfica ao consumidor e ao […]

  • benson

    acho muito legal a explicaçao que voces dao.

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: